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Errar é materno

ImagemAntes de nascer uma criança, uma mãe já está sendo formada. E é durante a gravidez que a gente pensa, sonha e constrói a mãe que queremos ser.

A gente prepara o ninho, prepara o espírito, lê, imagina.

Assim que o bebê nasce, começa a prova maior para a qual já nos preparamos: o exercício da maternidade. Nenhuma outra prova nos exigiu tanto tempo e tanta dedicação quanto esta.

Errar todos erramos. Não conheço quem tenha gabaritado esta prova. 

Mais importante do que quanto de acertos temos é ser aberta o suficiente para, tal qual um GPS, “recalcular a rota” quando aparecer um imprevisto. E, caramba, eles aparecerão pois não há nada mais imprevisível que uma vida com filhos.

Vejo muitas mães se culpando por isso e por aquilo (me incluo aí pois a culpa é um acessório inseparável da maternidade) mas a culpa não leva a lugar algum. Não adianta nada fazer uma besteira, se culpar e… cara de paisagem, vida que segue. Achou que está errado? LEIA. ESTUDE. Hoje em dia a informação está disponível a quem tiver interesse e paciência de pesquisar. Viu que realmente estava errada? CORRIJA.

O problema não é errar. O problema é não aceitar o erro e repará-lo. Essa, inclusive, é uma das lições que devemos passar a nossos filhos. A de que não há problema algum em reconhecer um erro. E de que somos fortes e inteligentes o suficiente para consertá-los.

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Julgo eu, julga você

ImagemTem um tema que toda hora me vêm à cabeça, daí eu penso e penso nele, mas ele é polêmico e eu teria que me explicar bem direitinho para não criar desafetos. Daí eu deixo para lá. Quando menos espero, ele volta ao meu pensamento e eu fico encafifada em como poderia falar sobre ele sem ser execrada. rsrs

Hoje resolvi meter a mão no vespeiro. E o tema da vez é: o julgamento materno.

Isso mesmo. JULGAMENTO. 

Nós estamos acostumados a julgar tudo e todos com um olhar impiedoso e, ao contrário do que acreditamos, extremamente parcial. Quando um bebê/criança está envolvido na equação o julgamento costuma ser bem mais duro.

Um exemplo? Só lembrar de alguma mãe com seu filho na rua, em um lugar público, e a criança começa a dar piti. Ora bolas, bebês são pitizentos por natureza: choram se tem frio, calor, fome, sono…choro é sua única forma de comunicação. A mãe que está com o chorão no colo certamente está ansiosa para tentar aliviar o desconforto do filho (muitas vezes ela não faz a menor noção do que é) e também está tensa pensando no incômodo às outras pessoas. O que essa mulher mereceria? Um olhar de apoio ou até um apoio físico mesmo, certo? Pois então. Na maioria das vezes o que ela ganha é um olhar torto pois está “perturbando a ordem”. 

“Não sabe educar os filhos. Está ferrada quando crescerem”.

“Bebê chatinho… culpa da mãe, claro. Deve ser dessas neuróticas e já passou as neuroses pro filho”

“Deve ser chorão assim porque mama no peito ainda e ela pega no colo toda hora. É manha.”

“Deve ser chorão assim porque mama mamadeira. A mãe não criou um vínculo forte com o filho. Tadinho, se sente abandonado”

E por aí vai…

Caso a mãe esteja com uma criança na fase do “terrible two”, o escândalo e os olhares de reprovação são maiores ainda. 

Mas, minha gente, por que educar o filho dos outros é tão fácil? Já pensaram nisso? Temos todas as soluções do mundo para fazer o filho da vizinha dormir a noite toda, o filho da prima comer todo o prato de comida, o menininho da creche ser mais educado e não bater nos amiguinhos.

E OS NOSSOS FILHOS? Será que sabemos resolver também todos os problemas deles com a mesma destreza?

Pois é…não sabemos. Enquanto estamos sentados julgando a maneira como conhecidos e desconhecidos erram ao criar seus filhos, comparados com a educação perfeita que achamos estar oferecendo aos nossos rebentos, os pais das outras crianças estão fazendo os mesmos julgamentos sobre a nossa criação, nossos filhos.

Não sou perfeita (loooooonge disso), mas a maternidade me fez uma pessoa melhor. Hoje me sinto capaz de rever conceitos e exercitar essa empatia bem mais facilmente que antes. Ainda me aborreço quando alguém se intromete de algum modo na criação que dou a minha filha, como qualquer pessoa, gosto de respeito. Mas já sei ouvir bem mais. Caso a opinião da pessoa não seja construtiva ou não faça sentido dentro do que acredito, educadamente agradeço mas deleto.

Hoje, tento ao máximo não julgar e não falar nada que não seja construtivo. Mas o que percebo também é que estamos tão aferrados às nossas próprias opiniões que é difícil aceitar as do outro. Assim, só ofereço algum comentário, quando sinto abertura, quando percebo que a pessoa está solicitando.

 Claro que somos humanos e essa tendência ao julgamento é uma coisa difícil de ser superada. Mas vale a pena tentar. Tentemos um pouco de empatia ao invés de censura. O mundo com certeza será melhor se cada mãe puder criar seus filhos sem ter que pedir desculpas ou licença a todos os incomodados do mundo.