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De Malas Prontas Para a Viagem Mais Psicodélica da Sua Vida

Minha irmã, que está na contagem regressiva para a chegada da minha sobrinha (eba!), me pediu que eu falasse um pouco sobre o que levar para a maternidade, o que funcionou e o que eu senti falta e tal.

No curso que fiz na maternidade São Luiz antes da Carolina nascer, eles nos deram uma listinha com o que deveríamos levar e eu segui o que estava ali, mas confesso que no fim não achei que foi 100% não. Se fosse fazer novamente uma mala para mim e para o bebê faria diferente.

Então aí vai a minha listinha atualizada com o meu toque pessoal:

Mala do bebê: 

  • 8 bodies de manga comprida mas de tecido fininho, sendo 4 tamanho RN e 4 tamanho P  porque não se sabe exatamente de que tamanho o bebê vai nascer, por mais que você tenha o peso estimado da ultra ele é uma ESTIMATIVA, logo não dá para jurar pela bandeira que vai ser aquilo ali. A Carol nasceu bem miudinha, assim ela usou os RN e mesmo assim eles ficaram sobrando na coitadinha.
  • 8 calças compridas de algodão ou malha com pezinho, sendo 4 RN e 4 P
  • 1 cueiro de algodão Bom para enrolar o bebezinho. Voce aproveita e já pede a enfermeira para te ensinar a fazer o pacotinho. Elas são ótimas nisso e isso te ajudará imensamente a fazer o bebê dormir nos 3 primeiros meses;
  • 1 xale de linha
  • 8 macacões com abotoamento frontal, sendo 4 RN e 4 P, no meu caso era inverno e os macacoes eram de fleece e plush, que são mais quentinhos. Caso seja verão, leve macacões de algodão ou malha;
  • 4 fraldinhas de boca
  • Pente e escova de bebê
  • Tesourinha de unha e trim
  • 3 toalhas fralda
Tão pequenininha que roupa RN era grande para mim

Tão pequenininha que roupa RN era grande para mim

Caso você vá usar fraldas de pano, é bom levar também. Algumas maternidades fornecem fraldas descartáveis, outras pedem que seja levado, entao caso pretenda usar fraldas descartáveis deve se informar sobre a necessidade ou não de levá-las.

É bom a gente lembrar que estaremos naquela emoção toda do parto, seja ele natural ou cesáreo, e não teremos cabeça para mais nada. Homens, em geral, não tem muito senso estético para combinação de roupas. Assim, a menos que você tenha se casado com o David Beckham, é melhor você separar os joguinhos de roupas em saquinhos de acordo com a combinação que você pretende que o bebê esteja vestido. Ou você poderá ser surpreendida por um bebê de calça amarela, body azul marinho e macacão rosa fluor.

Vi algumas mulheres que separavam em saquinhos de filó. Eu achei isso meio bobagem e o que fiz foi comprar aqueles saquinhos com ziplock para congelar comida, sabem? Comprei do maior e separei os joguinhos de roupa com 1 calça, 1 body e 1 macacão em cada saquinho e escrevi com caneta pilot: 1 troca RN, 1 troca P, 2 troca RN, etc. Em outro saquinho coloquei trim, tesourinha, escova de cabelo e pente. Expliquei tudo ao Eduardo e assim quando a enfermeira pediu os produtos de higiene e a 1 troca de roupas, ele só procurou pela etiqueta. 😉

Toda linda com o conjuntinho que mamãe tinha separado 1 mês antes :-P

Toda linda com o conjuntinho que mamãe tinha separado 1 mês antes 😛

Mala da Mamãe:

  • 3 Calças de algodão, moletom ou lycra; eu levei pijamas mas não gostei porque recebi varias visitas e eu lá de pijamão…e o pior nem é isso. O pior é que eu não conseguia dormir, então eu ficava rodando pelo hospital olhando “as modas do berçário” de pijama! Teria me sentido mais a vontade com uma calça folgadinha e confortável mas não necessariamente roupa de dormir.
  • 3 blusas de algodão folgadinhas, pelo mesmo motivo explicado acima. E nem precisa ser de botão, viu. É bem prático levantar um pouquinho e dar de mamar. Só precisa ser folgadinha.
  • 2 soutiens para amamentação
  • Conchas para seios, ajuda a não empedrar o seio caso o leite desça logo
  • Calcinhas de cintura alta e bem ajustadas, pois depois do parto a nossa barriga fica meio geleiosa, assim uma calcinha alta e firme te dá uma sustentação melhor
  • Produtos de higiene pessoal, eu não precisei levar toalha nem shampoo, sabonete, condicionador ou absorvente. O hospital dava esses ítens. Mas caso seu hospital não forneça, melhor ter na bolsa.
  • Absorvente para seios: eu não usei pois nunca vazei tanto assim, mas ouvi várias mulheres dizendo que foi útil, então melhor levar.
  • Roupa para sair da maternidade eu levei um vestido de mangas compridas pois estava frio. Leve algo mais arrumadinho mas que não dê muito trabalho para vestir. Evite vestidos, pois são mais difíceis de amamentar, a não ser que tenha botões na frente ou seja trespassado e dê para afastar e expor o seio;
  • Chinelos para dar suas peruadas pelos corredores do hospital
  • Sapatinho para ir embora mais arrumadinho mas que não dê muito trabalho para calçar. Eu levei sapatilhas.
  • Batonzinho é bom também, para quando as visitas vierem e você quiser sair mais bonitinha nas fotos
  • Elástico de cabelo porque amamentar com o cabelo solto, principalmente no início, é uó.

Documentos:

  • RG e CPF da paciente e do acompanhante (pode ser a carteira de habilitação);
  • Solicitação de internação (fornecida pelo seu médico)
  • Cartão pré-natal
  • Exames realizados durante a gestação (pelo menos o primeiro USG e o último e o exame de sangue mais completo que tiver)
  • Certidão de Casamento (caso seja casada)
  • Plano de parto
Primeira foto da Carolina. Na época em que não dava trabalho para dormir rs

Primeira foto da Carolina. Na época em que não dava trabalho para dormir rs

Quando estiver já na contagem regressiva para a chegada do bebê, recomendo deixar a sua mala e a do bebê já na mala do carro, assim como a cadeirinha do bebê (bebê conforto). Deixe também os documentos separados em uma pastinha em um lugar de fácil acesso para que você não esqueça na hora da alegria de querer sair correndo para a maternidade. Eu, que não sou ansiosa nem nada, deixei tudo na mala do carro desde a 36 semana.

Leve também câmera fotográfica! Você vai querer guardar todos os momentos possíveis na memória e nas fotos. Eu fiquei tal qual uma alucinada fotografando a menina a noite toda, enquanto Eduardo dormia no sofá-cama de boca aberta e tudo.

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O sonho dourado da maternidade e o estouro da bolha de sabão

Antes de termos filhos nós simplesmente não conseguimos entender, perceber, imaginar (insira mais uma dúzia de verbos aqui e ainda não vai rolar) como a nossa vida muda quando o filho chega.

Claro que temos uma idéia vaga de que dormiremos menos e ficaremos mais cansados cuidando do bebê, de que trocaremos fraldas e daremos mamá dia e noite e talvez a gente até consiga imaginar que trabalhar com todo esse furacão passando em nossa vida familiar seja mais difícil. Mas tudo isso são idéias realmente muito vagas e fugazes que passam tão rápido quanto o dinheiro saindo da sua conta, enquanto você escolhe os mimos do seu futuro herdeiro.

Na nossa cabecinha de grávida saltitante e feliz, a maternidade tem cheirinho de comercial de shampoo de bebê e tudo é cor de rosa. Nosso filho usando lindas roupinhas e dormindo como um anjinho, despertará uma ou duas vezes à noite com um chorinho tão fofo que ficaremos na dúvida se amamentamos ou choramos de emoção.

O problema é que esta bolha estoura bem rapidinho. E no meio da nossa cara.

Outro dia estava precisando arrumar meu armário e para conseguir realizar tão prosaica tarefa precisei armar uma estratégia de guerra. Deitei o bebê na minha cama, cercado de almofadas (vai que resolve rolar!), coloquei a galinha pintadinha no computador em frente a ela e comecei os trabalhos. A cada 2/3 min ela enjoava da galinha e dava uma ranhetada me olhando. Eu parava o que estava fazendo, cantava e dançava junto com a galinha por uns 30 segundos, ela distraía com a galinha de novo… e assim fomos até que ela golfou no 18˚babador do dia, logo depois de fazer um xixi e aquele cocô ninja. Aqueeeeele cocô que vai até a nuca e volta até o umbigo, sabem? Pois bem, esse mesmo.

Tem coisas que eu simplesmente desisto de fazer, devo confessar. Porque por mais despachada que eu seja, por mais prático que seja o sling ou o carrinho, dá um trampo preparar a mala da cria com opções de roupas para caso esfrie/esquente/neve/caia granizo ou ela vomite/cague/mije/regurgite/babe na roupa que está usando e mais meia dúzia de brinquedinhos para os momentos de tédio e 2 ou 3 fraldinhas para a baba/vomito/suor. E claro que nunca sabemos se eles vão resolver fazer cocô bem na hora de sair ou estar de bom humor durante o processo.

E fora que eu não sei vocês, mas eu tinha uma ilusão de que durante o dia era só botar o bebê no berço com meia dúzia de brinquedinhos que ele ficaria lá com seu auto-fun ligado, divertindo-se sozinho por 1 ou 2h enquanto eu faria minhas atividades normais de leitura, assistiria meu seriado, faria uma arrumação etc etc etc. O que eu diria para minha “eu” de 5 meses atrás se eu soubesse o que sei hoje? Bom, eu diria:

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Queridões, se o seu bebê não está DORMINDO, você pode esquecer a idéia selvagem e louca de conseguir fazer qualquer coisa que exija sua atenção integral por mais do que 5 minutos. E quando ele estiver adormecido, você só vai querer dormir também, a não ser que você seja uma descompensada como eu e resolva criar um blog sobre a maternidade. Nesse caso você vai sacrificar preciosos minutos de sono para escrever um pouco.

Quem leu até aqui está se perguntando se eu me arrependi de ser mãe. NUNCA, JAMAIS EM TEMPO ALGUM. É simplesmente inexplicável o amor que sentimos por esses bichinhos indefesos. É louco demais olhar as conquistas pequenas deles no dia a dia e pensar que VOCÊ FEZ aquele mini-ser humano.

Recomendo a maternidade/paternidade. Muito. Mas recomendo também que você seja flexível a “pequena” mudança que ela vai trazer à sua vida. Coisinha pequena mesmo, sabem? Tipo um furacão Katrina.

Sou trabalhosa mas sou fofinha. Você não vai dormir nunca mais mas vai me amar de um jeito inexplicável.

Sou trabalhosa mas sou fofinha. Você não vai dormir nunca mais mas vai me amar de um jeito inexplicável.