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Pão de queijo sem queijo… uma delícia!

Como já contei anteriormente, a Carolina tem APLV e eu resolvi não desmamá-la. Assim, estou seguindo uma dieta bem restritiva sem leite, derivados ou qualquer coisa que possa conter traços de leite. Eu, que já não sou muito hábil entre as panelas, estou enfrentando uma dificuldade grande em conseguir fazer coisinhas gostosas e liberadas para mim e para o marido (que foi forçado a seguir a dieta também, em solidariedade).

A culinária vegana se tornou minha melhor amiga, já que não se utiliza de nada de origem animal, e eu passei a frequentar um restaurante bem gostosinho aqui de Jundiaí, chamado Casa Sândalo. E passei também a procurar receitas em sites veganos.

Uma que me chamou bastante atenção foi o pãozinho de queijo SEM QUEIJO. Isso mesmo! Na verdade, é um pão de mandioquinha (ou batata baroa, no Rio de Janeiro) mas que fica uma delícia e bem parecido mesmo com o pãozinho de queijo.

Pãozinho de queijo SEM QUEIJO. E esses daí foram eu mesma que fiz!

Pãozinho de queijo SEM QUEIJO. E esses daí foram eu mesma que fiz!

Ingredientes

mandioquinhas (batatas-baroas) pequenas (364g)
3 1/2 xícaras de água fervente (700ml)
1 1/4 de xícara de polvilho doce
1/2 xícara de polvilho azedo
1 colher (sopa) rasa de sal marinho
3 colheres (sopa) de azeite de oliva

Preparo

Descasque e pique as mandioquinhas. Coloque-as em uma panela média (atenção, pois quanto maior a panela, mais rápido a água secará), junte a água fervente e cozinhe por 15 minutos com a tampa semiaberta. Deixe a mandioquinha esfriar um pouco e coloque-a em uma vasilha. Amasse-a com as mãos e acrescente o restante dos ingredientes (a mandioquinha deve estar morna). Misture bem e vá adicionando a água do cozimento aos poucos, trabalhando a massa até que não grude mais nos dedos. Modele bolinhas de tamanho médio e coloque-as em uma assadeira untada com óleo. Leve ao forno alto (230°C), preaquecido, e asse por cerca de 40 minutos. Sirva quente.

Dica – Se desejar que a massa fique mais durinha, acrescente um pouco mais de polvilho doce.

Rendimento: 15 pãezinhos

Eu segui a receita certinho e a única coisa é que realmente precisei colocar mais polvilho doce para acertar o ponto e não utilizei toda a água do cozimento, apenas o suficiente para a massa desgrudar dos dedos.

Até o tempo foi exatamente esse: 40 minutos no forno máximo. Os pães ficaram dourados e crocantes por fora e com aquela textura úmida por dentro. Delicinha!

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E a tal da APLV?

Se tem uma coisa que eu AMO comer são queijos e derivados de leite. Sou simplesmente apaixonada e era viciada, comia em todas as refeições. Nunca me imaginei sem laticínios. Mas a maternidade faz exigências que nunca imaginamos ter que cumprir…

Carolina sempre dormiu um sono mega agitado e tinha um refluxo muito intenso. Começou com mais ou menos uns 15 dias de vida, ela vomitava quantidades tão grandes que eu imaginava se alguma coisa da mamada tinha sobrado na barriguinha dela. Por vezes, parecia uma refilmagem do filme “O Exorcista”, dado o alcance dos jatos de vômito. Ela também chorava mamando, arqueava as costas para trás e teve uma vez que ficou rouca!

Comecei a medicá-la para o refluxo, a fazer as medidas posturais, mas tirando o fim da rouquidão, não vi grande melhora. Além disso, ela tinha diarréia. Claro que eu não me tocava disso, porque tudo o povo diz que é normal. A menina cagava umas 8 a 10 vezes por dia, completamente líquido e cheio de muco e todo mundo dizendo que era normal, que eu era exagerada, que bebê era assim mesmo. Chorar muito é normal, Dormir agitado? Normal! Refluxo? Normalíssimo!

Mas eu não me conformava com isso. Cada vez que saía com a Carol, tinha que levar umas 3 mudas de roupa e o cabelinho dela fedia pois o vômito sempre escorria pescoço abaixo. Além disso, ela teve um espessamento da pele, que ficou cheia de placas. E as pessoas? Continuavam me dizendo que era normal.

Acredito que se ela criasse asas, iam continuar me dizendo que era normal. Afe!

Mas a minha sorte foi que quando ela tinha 2 meses, eu mudei de pediatra. E o pediatra me disse que cortasse leite e derivados da dieta pois era muito comum que crianças tivessem sensibilidade a ele. No meu entendimento (e pelo que os pediatras tinham me dito antes) eu podia comer o que quisesse pois as cólicas do bebê não tinham nada a ver com a alimentação da mãe. Então eu estava mergulhada nos meus amados queijos, leite e chocolates. Saí da comsulta com a pulga atrás da orelha, resisti, mas depois de comer uma peça de muçarela como despedida, comecei a dieta.

E não é que a Carolina melhorou? Os vômitos diminuíram, as evacuações que eram mais de 8 por dia, passaram a ser 2 ou 1!!!

Com isso, o diagnóstico de APLV acabou sendo confirmado. A APLV é a Alergia À Proteína do Leite de Vaca. É bastante comum em crianças, geralmente nas que receberam complemento de Leite Artificial precocemente. Os sintomas são vômitos, cólicas, diarréia, dor abdominal, prisão de ventre, presença de sangue nas fezes, dermatites (vermelhidão na pele, descamação, pequenas bolhas e “pele grossa”), problemas respiratórios (asma, chiado no peito e rinite) e emagrecimento. Podem ocorrer em minutos, horas ou dias após a ingestão de leite de vaca ou derivados, de forma persistente ou repetitiva.

APLV é diferente da intolerância a lactose. A intolerância é a dificuldade do organismo para digerir e absorver o açúcar do leite (lactose), é mais comum em adultos e os sintomas são diarréia, cólicas, distensão abdominal (barriga estufada) e náuseas e podem ocorrer em minutos ou horas após a ingestão do leite de vaca.

Existem alguns exames de sangue e fezes que podem ser feitos, mas o diagnóstico vem mesmo através da observação dos sintomas e da melhora dos mesmos após dieta de exclusão. Se o bebê não mama no peito, ele tem que tomar leites especiais (que são caríssimos mas dá para conseguir pelo SUS). Mas esses bebês se beneficiam muito da amamentação, é visto que eles melhoram da alergia mais cedo do que os que não são amamentados no peito. Isso mesmo! Tem cura, geralmente entre 1 e 3 anos as crianças ficam curadas. E um fator que influencia no quão cedo a cura virá, é um dieta feita bem cedo e precocemente. Caso a mãe se disponha a continuar amamentando, ela tem que fazer a dieta de exclusão. Isso significa excluir completamente leite, derivados e produtos que contenham leite ou mesmo traços de leite. Não adianta leite com baixa lactose (isso só serve para os intolerantes). E muitos alimentos industrializados não vem escrito mesmo contendo traços de leite, o que é um problemão!

Apesar do nome (alergia a proteina do leite de vaca), nenhum leite animal é permitido e o ideal é evitar também a soja, já que 60% dessas crianças apresentam ou apresentarão reação cruzada a soja. Eu substituí pelo leite de aveia, arroz, amêndoa ou macadâmia. O pão, eu passei a fazer em casa, nessas panificadoras. E deixei de comer na rua, pois mesmo um contato mínimo de derivados de leite nos meus talheres ou prato podem desencadear sintomas na Carolina. Os único restaurantes seguros para mim são os veganos, que não contam com nada de origem animal.

Embutidos eu cortei, pois mesmo um presunto, se foi cortado numa máquina que antes cortou queijo…já era.

Não é nada fácil a dieta, mas eu tenho muito firme esse propósito de amamentar a Carolina. Entrei para um grupo do facebook o MFAL (meu filho tem alergia a leite) e eles ajudam muito! Eles têm uma lista de alimentos seguros, tiram dúvidas, dão apoio. Legal mesmo!

Claro que às vezes eu me enrolo e acabo consumindo uma coisa que acho que é segura, mas que tem algum traço de leite e lá se vai a Carol piorando de novo. Mas estou aprendendo cada dia mais! Rumo à cura.

Vejo muita gente dizendo que existe um excesso de diagnóstico de APLV e refluxo nos dias de hoje. Mas sabem o que eu penso? Que antigamente as crianças tinham isso e ninguém diagnosticava porque não sabiam. Assim, os pobrezinhos sofriam regurgitando, chorando noites sem parar e as mães achavam que eles eram bebês chatinhos quando na verdade eles só estavam sofrendo!

Minha dica é evitar ao máximo que seu bebê receba leite artificial na maternidade (não sei se a Carolina recebeu no berçário, eu pedi que não fosse dado) e fazer dieta de leite e derivados pois mesmo que seu bebê não seja APLV, ele aumenta os gases no bebê. E, claro, amamente SEMPRE. É um dos melhores remédios que você pode dar ao seu filho.