O bebê caiu. E agora?

Levamos o maior susto da nossa vida. Tive a certeza de que não sofro realmente de nenhum problema cardíaco, porque se sofresse estava infartadinha da Silva.

Sou perigosa. Me larga sozinha aqui só para você ver.

Sou perigosa. Me larga sozinha aqui só para você ver.

O caso é que acordei e a Carolina também e, como ela não queria ficar quieta e eu precisava arrumar as coisas para a manhã que começava, pedi ao maridón que ficasse olhando a pimpolha. Coloquei-a na cama com ele. Ela estava bem no meio e como só tinha rolado de costas para bruços mas não sabia voltar, mesmo que ela rolasse não estaria neeeeeem perto da beirada da cama.

Mas… crianças não sabem fazer determinada coisa até que um dia aprendem, né? Do nada. E foi o que aconteceu. Meu marido dormiu e a Carolina conseguiu rolar de barriga para baixo para costas pela primeira vez. E se espatifou no chão. Achamos que caiu de cabeça, mas não vimos. Só escutei o barulhão enorme e o meu marido gritando feito um louco.

Meu coração gelou, mas mantive uma relativa calma, peguei-a no colo, embalei para que parasse de chorar e verifiquei cabeça, pescoço, braços, pernas… aparentemente estava tudo bem.

Ela não teve nenhum sintoma de alarme e nem nenhum galo e a única alteração de comportamento foi que justo nesse dia ela aprendeu a dar uns gritos altos e não parou de rir. Sério, gente. Ela ficou animadíssima. Espero que isso não signifique que ela vai gostar de adrenalina porque aí nem meu coração estando bom, vai aguentar.

Mas mesmo com toda a boa evolução e tal, resolvi levá-la ao hospital para desencargo de consciência. Fomos muitíssimos bem atendidos lá no Sírio e como ela tem menos de 1 ano, ninguém viu a queda e foi de uma altura boa (cama box), a médica acabou fazendo uma tomo. Não deu nada, graças a Deus. Não ficou nem galo na cabeça da bebê, só ficou a lição para os papais: cama dos pais nunca mais!

Aproveito para falar um pouquinho sobre quedas e o que fazer se algo assim acontecer com você ou alguém próximo.

  • A primeira coisa é não entrar em pânico e prestar atenção na posição que o bebê está, para tentar avaliar qual parte do corpo sofreu impacto e pode estar machucada.
  • examinar atentamente o bebê procurando sinais de alarme: desalinhamento de membros (fratura), sangramentos (especialmente se for pelo ouvido), pupilas desiguais, alteração de consciência (desacordado, sonolento), irritação extrema, convulsões, vômitos. Na presença de qualquer um desses sinais, correr para a emergência. Nesses casos, uma tomografia deve ser realizada no PS para descartar fratura de crânio ou lesão intracraniana.
  • quando a queda for maior que 1 metro ou o mecanismo do trauma for desconhecido, ou seja, ninguém viu cair então não sabe exatamente o que bateu no chão (foi o caso da Carolina), queda em superfície dura (concreto), hematomas na cabeça (principalmente se for na lateral, próximo da orelha), tem que ir ao PS também e fazer tomografia para descartar lesões. Mas precisa ir mesmo se o bebê aparenta estar bem? Precisa sim! Principalmente no caso de bebês menores de 1 ano, pois muitas vezes eles apresentam lesão mas tem sintomas mínimos.
  • Se o bebê tiver menos de 3 meses, SEMPRE deve-se ir ao hospital para passar pela avaliação do pediatra.

Quando não precisa ir ao hospital então?

criança maior de 1 ano que está bem, sem nenhum dos sinais de alarme que falamos acima. Nesse caso, ficar observando e caso perceba alguma alteração de comportamento ou surgimento de algum sinal de alarme, correr para a emergência.

Ah! Mas… tomografia? Radiografia não adianta não?

A radiografia só adianta um pouco na avaliação de fraturas lineares em bebês, mas a tomografia é o exame de escolha pois ele avalia não só o osso como se houve alguma complicação (como sangramento) intracraniano.

 

O mais importante é SEMPRE a prevenção. Não desejo para ninguém o desespero e o nervoso que eu passei. A gente esquece que a criança está adquirindo novas habilidades e que ela nunca rolou… até o dia que rola. Então não dá para confiar.

  • Cinto de segurança SEMPRE que estiver no carrinho ou bebê conforto,
  • Nunca virar-se com a criança no trocador,
  • Não deixar sozinha na cama, mesmo com travesseiros (Carolina rola por cima deles),
  • Mão apoiando as costas do bebê, quando estiver no colo, mesmo que ele já se sustente, porque eles as vezes dão umas guinadas para trás,
  • E NUNCA JAMAIS EM TEMPO ALGUM USAR ANDADORES. Essa foi em maiúscula porque é uma das maiores causas de traumas graves em bebês. E se você está na dúvida se é perigoso mesmo, é só pensar que você não dá uma motocicleta para um pré-adolescente que está aprendendo a andar de bicicleta. Um bebê não tem equilíbrio suficiente para andar e ao colocá-lo em um andador, ele ganha uma velocidade que não conseguirá ter habilidade suficiente para controlar. Cada coisa a seu tempo. Deixe seu bebê engatinhar que logo logo ele estará dando seus passinhos por aí.

 

 

As informações acima foram retiradas do artigo de revisão “Conduta Frente à criança com Trauma craniano”  do Jornal de Pediatria Vol. 78, Supl.1, 2002 0021-7557/02/78-Supl.1/S40

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3 comentários sobre “O bebê caiu. E agora?

  1. poxa eu sei bem que susto é esse.. meu vinicius tambem mim deu um susto desses
    caiu da cama mais nao era box o problema da altura foi as mofadas que tinha colocado pra evitar as quedas e acabando ficando mais alta e nem por isso evitou de ele cair de cabeça na verdade bateu foi a testa no chão. eu treme fiquei fria e fiz igual a vc levei pro pronto socorro e fiz um tomografia e deu tudo normal..ufa..mais nos maes sempre leva esses susto com a gente pra sempre acredito eu. e ele nao para de mim dar susto! srsrrs..acredito que essas coisas melhores quando começam a andar sozinhos!

  2. Oi Marcelle, estava procurando um alívio ao meu coração e encontrei o seu site. Dia 04/02/15 minha bebê tinha 3 meses e caiu da minha cama box também. Fiz toda essa correria de levá-la ao PS pq não vimos como foi a queda… Acontece que o pediatra dela (acabei não o obedecendo e fui no PS) me incriminou pq foi feito a tomo e ela é tão pequena e me alertou sobre os riscos do exame, radiação… E desde esse dia eu só choro e me culpo muito…tenho muito medo…estou até fazendo terapia e tomando remédios… Não sei como me acalmar, pq infelizmente qro mais pesquiso na internet pior eu fico… Vou procurar um especialista radiologista, neuro …sei lá… Para me orientar. E hoje como está a sua bebê? Um beijo Jacke

    • Jacke, relaxa seu coração. Não acontecerá nada com sua filha. Não é uma Tomografia que vai fazer um mal a ela, caso contrário imagine o problema que teriam as crianças que tem que fazer várias TCs por outros motivos? Esse pediatra provavelmente quis evitar que você não seguisse as recomendações dele na próxima vez. Sei lá, sentiu seu ego ferido…vai saber. Minha filha está ótima, fará 2 anos mês que vem. Espertíssima sem problema algum. 🙂

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