Será que dou conta?

No último mês da gravidez fui atacada por um sentimento de que era tudo “demais”, de que eu estava sobrecarregada e não ia dar conta.
Eu passei os últimos 33 anos da minha vida responsável somente por mim mesma. E mal dava conta.
Nunca consegui ser tão organizada quanto gostaria ou como minha mãe é.
Nunca consegui ser tão resolutiva quanto gostaria de ser.
Sempre fui extremamente ansiosa sobre todos os pequenos eventos cotidianos relacionados à mim.
Resumindo: como uma pessoa tão imperfeita e tão confusa poderia ser responsável por outra pessoa? E uma tão dependente quanto um bebê?
Quase surtei e enlouqueci meu marido com minha ansiedade. Passei a gravidez toda muito bem. Muito ativa. Trabalhei até a semana anterior do parto, para vocês terem uma idéia. E olhem que meu trabalho é em outra cidade e eu ia dirigindo com meu barrigão de 9 meses. Mas enquanto meu físico ia de vento em popa, esse último mês foi paralisante no setor emocional.
Depois que minha bebê nasceu, enquanto estive no hospital tudo foram flores. A minha bebê ficava comigo o tempo inteiro, mamava meu colostro com voracidade, mas toda vez que tinha que tomar banho ou trocar fraldinha, era só eu apertar um botãozinho que uma enfermeira vinha e fazia isso por mim. Minha comida vinha de 3 em 3h. Era quase um spa. Tive alta e fui para casa com medo. Atacada de novo pela maldita ansiedade.
Fomos para casa e minha linda e fofa mãe estava aqui me ajudando com a bebê e com a casa.
Até que minha mãe foi embora.
A sensação foi de desamparo mas ao mesmo tempo eu percebi que apesar de tudo, de eu não ser nem de longe tão perfeita quanto gostaria de ser, eu ficaria bem. Carolina ficaria bem.
Porque se tem uma coisa que a maternidade faz com a gente é diminuir o egocentrismo. Eu não estou mais tão focada em todas os pequenos probleminhas e chateações relacionados a mim. Estou muito mais voltada ao bem estar dela.
Estou segura que por mais que eu erre, não tem como amar mais essa pessoinha. O amor pode até não resolver tudo, mas tenho certeza que ajuda.
E essa certeza me trouxe uma espécie de paz.

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2 comentários sobre “Será que dou conta?

  1. Eu adoro a forma como vc escreve! Acompanho desde os tempos de salto, e agora vou seguir os tempos de mamadeiras, fraldinhas e de chupetas (ou não). Devorei todos os textos e cheguei até o fim do blog. Adorei tudo.

    Fiquei numa felicidade imensa quando vi que a Carolina tinha chegado ao mundo. Até comentei na foto do Otubo (companheiro de eventos de software livre de uns tempos atrás), que quando nasce um bebê, nasce também um pai e uma mãe.

    Desejo toda felicidade do mundo para vcs! De coração! Vou continuar acompanhando por aqui e pelas fotinhas postadas nas redes sociais.

    Um beijo grande para os três!

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