A chegada do bebê e altas aventuras

Minha Nossa Senhora do Semáforo Verde nem precisou entrar em ação! Estava tão preocupada com o trânsito, em como seria chegar de Jundiaí ao hospital, mas acabou que Carolina Miyuki (minha princesinha) tem um timing excelente e resolveu dar uma forcinha para o papai e para a mamãe. Assim, no dia 18/05/13 eu acordei umas 8h com a certeza absoluta que os pequenos escapes de urina que vinham acontecendo no final da gravidez (e me angustiando HORRORES) tinham evoluído para uma incontinência urinária franca. Porque, gente…eu estava com a calcinha toda molhada!
Ainda pensei que poderia ser a bolsa, mas sempre tinha lido relatos de que a bolsa era uma quantidade MUITO GRANDE de líquido e que tinha cheiro de água sanitária. O líquido que vi não tinha cor de nada e nem cheiro de nada, bem que poderia ser uma urina bem diluída pelos litros e litros de água que vinha bebendo. Assim, troquei a calcinha e voltei a dormir.
Mal deitei e a outra calcinha molhou toda novamente. “CARAMBA! Que incontinência urinária dos infernos! Vou ter que operar depois que o bebê nascer!” Pensei, desconsolada.
Mas 4 trocas de calcinha depois, até alguém meio lenta como eu começou a desconfiar que a hora P tinha chegado!
Acordei o marido com calma e dise: “Amor, não precisa se assustar, mas acho que minha bolsa estourou. Só que não estou sentindo nada ainda”.
Ele estava sonolento, virou na cama e respondeu: “Ah! Então me deixa dormir mais uma horinha”
E eu que pensei que ele entraria em pânico quando eu desse uma notícia dessas!!! O danado só queria era dormir mais…
“Olha, amor, acho melhor você levantar, a gente almoçar com calma e ir ao hospital ver se realmente estourou”.
Arrumamos as coisas que faltavam no carro. Não eram muitas pois há 3 semanas que já estávamos andando com as malas na mala do carro e a cadeirinha montada no banco de trás. E fomos num restaurante natural almoçar.
Estávamos calmos como um casal iogue. Juro. Até porque, até ali eu não tinha tido nem uma dorzinha nem um nadinha de nada.
Pegamos a estrada e o caminho até São Paulo fluiu como nunca vi nos últimos anos morando aqui. Zero de engarrafamento.
E chegando lá, ao ser examinada pela obstetriz, contei sobre meu receio de ter me urinado.
“Só se você está urinando pela vagina!”
Bolsa rota confirmada, 2 dedos de dilatação, entrou no jogo minha médica fofa Dra Amira. Ligamos para ela e como já tinha 7h de bolsa rota, sem sinais de TP ainda e o bebê já tinha 38 semanas e 6 dias, a indicação era de tentar a indução.
Lá veio o temido “sorinho” (ocitocina). Ela começou umas 3 da tarde com uma velocidade fraquinha. E foi aumentando com o passar das horas. Umas 5 da tarde e NADA! Aí minha médica me perguntou se podia aumentar bem mais o soro para tentar entrar em TP.
Nessa hora o bicho não pegou, não. Ele arregaçou.
As dores começaram e vinham intensas e praticamente sem intervalo. Eu tentei ficar na bola, tentei ficar no chuveiro, tentei agachar. Nada fazia com que fosse mais suportável. Quando foi por volta de 22h, eu já estava literalmente batendo a cabeça na parede enquanto meu marido tentava fazer com que eu parasse.
As 23 horas, a enfermeira fez um segundo toque: 3 cm. Eu tinha dilatado 1 cm em 6h de dor excruciante. Eu perguntei se podia tomar anestesia. A enfermeira disse que não, que só quando chegasse a 6 cm.
Eu entrei em um estado que só posso definir como desespero. E a tal enfermeira foi de uma grosseria ímpar ao me dizer que “Você tem que saber o que quer. Parto normal é assim. Se você quiser tem que aguentar. Não adianta apertar a mão do seu marido e chorar”.
Todas as enfermeiras tinham sido uns doces até então. Mas a grosseria dessa única FDP num momento em que eu estava muito sensível, foi o suficiente para que eu desistisse.
Pedi ao meu marido que ligasse para a médica naquele momento. Que eu não queria mais. Eu queria acabar com aquele sofrimento.
Entre ligar e minha médica chegar rolou uma meia hora.
Dez para meia noite, eu estava a pé a caminho do centro cirúrgico. Minha médica ainda disse que eu devia esperar mais, mas eu não estava nem raciocinando mais. Eu só queria parar de sentir tanta dor.
Assim, meia noite e quinze eu ouvi o chorinho mais lindo da minha vida.

Algumas considerações sobre meu parto: Eu queria muito um parto normal, e tentaria de novo. Mas acho que as dores do TP fisiológico (e não do induzido por ocitocina) devem ser mais suportáveis. Sendo assim, eu tentaria um parto normal desde que não precisasse de indução.
As dores que senti depois da cesárea foram mínimas! Algumas horas depois do parto já estava dando de mamar à minha bebê e caminhando no corredor. E, com certeza, foram bem menores que as dores da ocitocina.
Ver a carinha da pessoa que esteve dentro de você durante todos os meses, ouvir seu chorinho…compensa tudo!968791_10151542463338366_929496133_n

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3 comentários sobre “A chegada do bebê e altas aventuras

  1. Olha só, apertar a mão do marido e chorar funciona sim. E o importante é vc ter a mente aberta para fazer o que é melhor pra vc e para o bebe, seja o parto que for!
    Ela é linda demais, Ma!!!

  2. Fiquei sentida por você…. A dor tão forte foi por causa da indução, sim… Mas o mais importante é que hoje está tudo bem, e que o seu relato vai conscientizar a ajudar outras mães e futuras mães. Beijos!

  3. Que pena, indução sem indicação real, violência no atendimento dessa enfermeira: lamentável! Seria tão simples e seguro deixar a mulher parir, o parto é um processo tão perfeito! Eu fiz parto domiciliar, deambulei o tempo todo e a dor de cada contração foi barbadinha. Mas durante uma delas eu estava sentada para fazer o primeiro dos 2 toques que o parteiro fez em todo o TP (que durou 15 horas) e a dor foi muito forte, certamente eu não teria suportado uma dor daquelas por tanto tempo. Imagina com ocitocina sintética! Imagina das 15h às 22h! Sem falar no risco para o bb, que pode receber pouco oxigênio.

    Parabéns pelo esforço sobre humano, parabéns pela linda bb!

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