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Mamãe eu quero, mamãããe eu quero mamaaaaaar!

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Quando você pensa em uma cena tocante que envolva maternidade, a primeira coisa que vem à cabeça é uma mãe sentada calmamente em uma poltrona dando de mamar ao seu bebê serenamente. Nessa cena idílica o bebê não está chorando. Ele está extasiado olhando sua mamãe enquanto delicadamente suga seu seio.
Bom, esqueça.
Amamentação é ótimo, maravilhoso e talz mas nada te preparou para a batalha inicial que é conseguir amamentar.
No hospital, Carolina (e a maioria dos recém nascidos), dormia a maior parte do tempo e mamava o colostro relativamente calma antes de cair novamente em seu soninho. As enfermeiras me disseram que em poucos dias o leite desceria e que ela estava pegando o seio certinho.
No segundo dia, depois da alta, seguimos para casa. Aí começou a batalha campal. O leite desceu no 4 dia, mas meus peitos estavam tão cheios que ela não conseguia abocanhar. E estavam tão ingurgitados que eu não conseguia esvaziar para ajudá-la a pegar a mama.
Junte um bebê com fome, berrando mais que o vocalista do Iron Maiden, e uma mãe com os peitos maiores que os da Cida Marques e zero de experiência maternal. Acha que deu merda? Acertou.
O resultado foram mamas feridas, um bebê mamando leite junto com sangue e uma mãe ligando para o banco de leite do hospital pedindo socorro.
No dia seguinte, lá fomos nós de volta para a São Luiz do Itaim conversar com a enfermeira sobre as mamadas. Cheguei lá trêmula, contando que ela mamava só 7 ou 8 minutos e já parava, que eu achava que tinha pouco leite porque não era possível…
A enfermeira pesou e…surpresa! Ela tinha recuperado o peso do nascimento!
Ela me pediu que a colocasse para mamar para que pudesse ver como as coisas estavam andando. Carolina mostrou que é do contra e que vai fazer mamãe passar vergonha, pois na frente da enfermeira, ela mamou 30 minutos seguidos.
A enfermeira ficou achando que eu era, no mínimo, exagerada.
Mas uma coisa eu descobri: mamar envolve não só ter leite. Envolve o bebê estar bem posicionado, calmo e a MAMÃE estar calma e bem posicionada. Como me senti segura junto à enfermeira, estava confortável sentada em uma poltrona de amamentação, tudo fluiu.
A primeira providência que tomei ao chegar em casa foi comprar uma poltrona de amamentação, coisa que eu antes tinha achado bobagem.
A segunda, foi aconchegar bem juntinho de mim meu pacotinho e dar um gostoso tetê, pois não tem nada mais gratificante que saber que seu leite está contribuindo para a saúde do seu filho.
É. Sou mãe coruja mesmo, me deixa! 😉

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Será que dou conta?

No último mês da gravidez fui atacada por um sentimento de que era tudo “demais”, de que eu estava sobrecarregada e não ia dar conta.
Eu passei os últimos 33 anos da minha vida responsável somente por mim mesma. E mal dava conta.
Nunca consegui ser tão organizada quanto gostaria ou como minha mãe é.
Nunca consegui ser tão resolutiva quanto gostaria de ser.
Sempre fui extremamente ansiosa sobre todos os pequenos eventos cotidianos relacionados à mim.
Resumindo: como uma pessoa tão imperfeita e tão confusa poderia ser responsável por outra pessoa? E uma tão dependente quanto um bebê?
Quase surtei e enlouqueci meu marido com minha ansiedade. Passei a gravidez toda muito bem. Muito ativa. Trabalhei até a semana anterior do parto, para vocês terem uma idéia. E olhem que meu trabalho é em outra cidade e eu ia dirigindo com meu barrigão de 9 meses. Mas enquanto meu físico ia de vento em popa, esse último mês foi paralisante no setor emocional.
Depois que minha bebê nasceu, enquanto estive no hospital tudo foram flores. A minha bebê ficava comigo o tempo inteiro, mamava meu colostro com voracidade, mas toda vez que tinha que tomar banho ou trocar fraldinha, era só eu apertar um botãozinho que uma enfermeira vinha e fazia isso por mim. Minha comida vinha de 3 em 3h. Era quase um spa. Tive alta e fui para casa com medo. Atacada de novo pela maldita ansiedade.
Fomos para casa e minha linda e fofa mãe estava aqui me ajudando com a bebê e com a casa.
Até que minha mãe foi embora.
A sensação foi de desamparo mas ao mesmo tempo eu percebi que apesar de tudo, de eu não ser nem de longe tão perfeita quanto gostaria de ser, eu ficaria bem. Carolina ficaria bem.
Porque se tem uma coisa que a maternidade faz com a gente é diminuir o egocentrismo. Eu não estou mais tão focada em todas os pequenos probleminhas e chateações relacionados a mim. Estou muito mais voltada ao bem estar dela.
Estou segura que por mais que eu erre, não tem como amar mais essa pessoinha. O amor pode até não resolver tudo, mas tenho certeza que ajuda.
E essa certeza me trouxe uma espécie de paz.

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A chegada do bebê e altas aventuras

Minha Nossa Senhora do Semáforo Verde nem precisou entrar em ação! Estava tão preocupada com o trânsito, em como seria chegar de Jundiaí ao hospital, mas acabou que Carolina Miyuki (minha princesinha) tem um timing excelente e resolveu dar uma forcinha para o papai e para a mamãe. Assim, no dia 18/05/13 eu acordei umas 8h com a certeza absoluta que os pequenos escapes de urina que vinham acontecendo no final da gravidez (e me angustiando HORRORES) tinham evoluído para uma incontinência urinária franca. Porque, gente…eu estava com a calcinha toda molhada!
Ainda pensei que poderia ser a bolsa, mas sempre tinha lido relatos de que a bolsa era uma quantidade MUITO GRANDE de líquido e que tinha cheiro de água sanitária. O líquido que vi não tinha cor de nada e nem cheiro de nada, bem que poderia ser uma urina bem diluída pelos litros e litros de água que vinha bebendo. Assim, troquei a calcinha e voltei a dormir.
Mal deitei e a outra calcinha molhou toda novamente. “CARAMBA! Que incontinência urinária dos infernos! Vou ter que operar depois que o bebê nascer!” Pensei, desconsolada.
Mas 4 trocas de calcinha depois, até alguém meio lenta como eu começou a desconfiar que a hora P tinha chegado!
Acordei o marido com calma e dise: “Amor, não precisa se assustar, mas acho que minha bolsa estourou. Só que não estou sentindo nada ainda”.
Ele estava sonolento, virou na cama e respondeu: “Ah! Então me deixa dormir mais uma horinha”
E eu que pensei que ele entraria em pânico quando eu desse uma notícia dessas!!! O danado só queria era dormir mais…
“Olha, amor, acho melhor você levantar, a gente almoçar com calma e ir ao hospital ver se realmente estourou”.
Arrumamos as coisas que faltavam no carro. Não eram muitas pois há 3 semanas que já estávamos andando com as malas na mala do carro e a cadeirinha montada no banco de trás. E fomos num restaurante natural almoçar.
Estávamos calmos como um casal iogue. Juro. Até porque, até ali eu não tinha tido nem uma dorzinha nem um nadinha de nada.
Pegamos a estrada e o caminho até São Paulo fluiu como nunca vi nos últimos anos morando aqui. Zero de engarrafamento.
E chegando lá, ao ser examinada pela obstetriz, contei sobre meu receio de ter me urinado.
“Só se você está urinando pela vagina!”
Bolsa rota confirmada, 2 dedos de dilatação, entrou no jogo minha médica fofa Dra Amira. Ligamos para ela e como já tinha 7h de bolsa rota, sem sinais de TP ainda e o bebê já tinha 38 semanas e 6 dias, a indicação era de tentar a indução.
Lá veio o temido “sorinho” (ocitocina). Ela começou umas 3 da tarde com uma velocidade fraquinha. E foi aumentando com o passar das horas. Umas 5 da tarde e NADA! Aí minha médica me perguntou se podia aumentar bem mais o soro para tentar entrar em TP.
Nessa hora o bicho não pegou, não. Ele arregaçou.
As dores começaram e vinham intensas e praticamente sem intervalo. Eu tentei ficar na bola, tentei ficar no chuveiro, tentei agachar. Nada fazia com que fosse mais suportável. Quando foi por volta de 22h, eu já estava literalmente batendo a cabeça na parede enquanto meu marido tentava fazer com que eu parasse.
As 23 horas, a enfermeira fez um segundo toque: 3 cm. Eu tinha dilatado 1 cm em 6h de dor excruciante. Eu perguntei se podia tomar anestesia. A enfermeira disse que não, que só quando chegasse a 6 cm.
Eu entrei em um estado que só posso definir como desespero. E a tal enfermeira foi de uma grosseria ímpar ao me dizer que “Você tem que saber o que quer. Parto normal é assim. Se você quiser tem que aguentar. Não adianta apertar a mão do seu marido e chorar”.
Todas as enfermeiras tinham sido uns doces até então. Mas a grosseria dessa única FDP num momento em que eu estava muito sensível, foi o suficiente para que eu desistisse.
Pedi ao meu marido que ligasse para a médica naquele momento. Que eu não queria mais. Eu queria acabar com aquele sofrimento.
Entre ligar e minha médica chegar rolou uma meia hora.
Dez para meia noite, eu estava a pé a caminho do centro cirúrgico. Minha médica ainda disse que eu devia esperar mais, mas eu não estava nem raciocinando mais. Eu só queria parar de sentir tanta dor.
Assim, meia noite e quinze eu ouvi o chorinho mais lindo da minha vida.

Algumas considerações sobre meu parto: Eu queria muito um parto normal, e tentaria de novo. Mas acho que as dores do TP fisiológico (e não do induzido por ocitocina) devem ser mais suportáveis. Sendo assim, eu tentaria um parto normal desde que não precisasse de indução.
As dores que senti depois da cesárea foram mínimas! Algumas horas depois do parto já estava dando de mamar à minha bebê e caminhando no corredor. E, com certeza, foram bem menores que as dores da ocitocina.
Ver a carinha da pessoa que esteve dentro de você durante todos os meses, ouvir seu chorinho…compensa tudo!968791_10151542463338366_929496133_n

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